Por Matheus Mendes
É muito legal de pensar o quanto aquela pessoa já viveu diversas experiências e hoje sentada em uma cadeira de balanço com um velho rádio do lado tricotando pode pensar o quanto já viveu e se deliciar quando uma jovem alma crua se aproxima para ouvir suas histórias.
Não seria diferente com minha bisa-vó.
Em seus 95 anos (que serão completados nessa quarta-feira, dia 15) cada vez que a faço uma visita sento ao seu lado e complacente me torno todo ouvidos para as velhas histórias de uma mulher que foi líder na política nos seus tempos e hoje tem muito a contar.
Na última visita ouvi uma história sobre sua passagem na diretoria de um colégio estadual na cidade de Camaquã (minha cidade natal) onde um simples colégio público conseguiu se mostrar forte como um colégio de freiras em um desfile de 7 de Setembro.
Tempos de vacas magras são bem comuns em colégios estaduais. A falta de estrutura, desânimo e medíocridade de algumas pessoas podem vir a terminar com um sonho de desfilar em um dia desses. Mas não.
Com um empréstimo de dinheiro, na realidade uma doação de meu bisa-vô que era um latifundiário e agricultor na época na cidade foi possível fazer com que o Colégio Sete de Setembro desfilasse de modo desafiador uma escola de cunho marista.
Com o dinheiro foi comprado as roupas para o desfile, e com uma mentira de boa causa para a cidade vizinha, se conseguiu empréstimos de instrumentos nos desfiles. A mentira era que após o desfile, seria mandado os instrumentos da escola junto com os emprestados para assim incrementar e dar força a ambos contra os colégios de força superior. Esses instrumentos nunca existiram. Pois a precariedade e falta de verba não permitia que aquele colégio público se desse ao luxo de constituir uma banda para desfilar todo o ano.
A preparação foi feita, os instrumentos enviados um empréstimo de acervo pessoal a espada de Zeca Netto foi emprestada para o cavalheiro puxar o desfile com ela empunhalada nas mãos.
Com todo louvor no dia 7 de Setembro o colégio nomeado com essa mesma data foi avante desfilar no centro da cidade frente a frente com seu maior rival, o colégio Marista das Irmãs.
Foi uma revolução. Aumentaram as matrículas no ano letivo seguinte, virou capa de jornal e os políticos concorrentes diziam que aquilo não era desfile do colégio, e sim propaganda pro PDT, partido o qual ela foi a primeira mulher a fazer parte na cidade.
Nessas horas eu vejo como as empresas deveriam investir nisso cada vez mais, porque são pequenos detalhes e muita força de vontade que podem mudar sua imagem para sempre.
Assim como o colégio 7 de Setembro, assim como uma empresa e assim como qualquer um que sente a necessidade de dar um passo a frente com a sua marca.