quinta-feira, 18 de novembro de 2010

“O QUE VOCÊ FARIA?”

Por Aline Gomes

O filme “El Método”, traduzido em português como “O que você faria?” narra a disputa de sete candidatos a uma vaga em uma empresa na cidade de Madri, no mesmo dia em que marchas de protesto contra a globalização e a política monetária do FMI mobilizam a cidade. Mesmo assim, a seleção dos candidatos é realizada em uma sala de reuniões, onde eles ficam confinados, passando por testes que são apresentados pelo computador e onde a única pessoa da empresa que eles tem contato é a secretária.

A primeira prova é bastante interessante, mas, porém intrigante, pois os candidatos precisam descobrir entre eles uma pessoa que já trabalha para a empresa e que está ali para analisá-los. Os jogos os colocam diante de várias situações-limite e, sabendo que estão sendo constantemente observados e avaliados, chegam a um nível de tensão insuportável, sabendo que qualquer pisar em falso podem levá-los à eliminação, que acontece uma a uma, até que sobra apenas duas pessoas que precisam decidir entre elas, quem ficará com a vaga.
O filme é uma metáfora sobre a sociedade contemporânea e possibilita uma reflexão sobre o comportamento em grupo, em sociedade, sobre ética profissional e os métodos de seleção utilizados pelas empresas
.

O método utilizado para a seleção, é muito questionável quanto ao seu reflexo e a obtenção do resultado esperado pela empresa, que é escolher o melhor candidato que apresente as características que a empresa deseja, pois no momento em que coloca-se pessoas “presas” em uma sala, onde elas precisam passar por aprovações e se destacar entre os outros, pode ser um momento delicado e totalmente propício a desconfortos e nervosismo, onde estas podem não conseguir mostrar todas as suas qualidades e habilidades, e a empresa pode acabar perdendo um candidato que possui todas as qualificações que ela estava buscando de início.

Pode-se dizer que os processos seletivos são extremamente necessários, mas algumas empresas pecam, buscando ansiosamente pelo “profissional perfeito” e acabam exagerando e colaborando para alguns equívocos, onde a empresa quer apenas que o candidato diga o que ela quer ouvir e não percebendo as qualidades reais dele.

Além disso, nestes “jogos seletivos”, como os que foram apresentados no filme em questão, pode-se acabar constrangendo os candidatos, perdendo o respeito pelo ser humano, despertando a discriminação e perdendo o objetivo do processo.

Em um dos jogos seletivos apresentados no filme, onde supõe-se que houve uma guerra nuclear e só há lugar para 5 no bunker, ou seja, um tem que ser eliminado, pois o outro dos 7 já havia sido eliminado anteriormente, nota-se que é incentivado nas pessoas que elas pensem somente nelas, esquecendo do grupo. Acredita-se que as empresas precisam de pessoas que pensem no grupo, no coletivo e não sejam individualistas, portanto este “jogo” contribuiu apenas para que houvesse desavenças e se destacasse a discriminação contra a idade e o sexo de alguns deles. Quando uma das candidatas tenta “comprar sua passagem” dizendo que é boa cozinheira e a outra, diz que vai ser a mãe da nova humanidade, a que se diz boa cozinheira também aceita ser mãe da nova humanidade. A descriminação se destaca quando menciona-se que ela tem mais de 40 anos, a probabilidade de sucesso nessa "batalha" é muito pouca e ela é “metralhada” pelos outros concorrentes, através da descriminação pela idade e do machismo dos homens. Ela acaba por ser eliminada.

Na prova final, onde restaram somente dois concorrentes, um deve convencer o outro com todos os artifícios possíveis, para que ele desista, ou seja, cada um por si e que o outro que seja o perdedor. O individualismo nesta cena, é arma mais importante.

Na sena final do filme, resta apenas um vencedor e um perdedor que vai embora arrasado fisicamente e emocionalmente. O que em algumas pessoas mais frágeis, pode se tornar um problema psicológico de humilhação e inferioridade. Depois de tudo o que a candidata eliminada passou em 1 dia inteiro de provas constrangedoras, desgaste físicos e mentais além da discriminação, ela vai embora para sua casa arrasada e se sentindo inferiorizada.

Deve-se levar muito em consideração os problemas psicológicos que as pessoas podem adquirir neste tipo de processo, pois, apesar de ser um aprendizado que deve-se tirar apenas coisas boas, as pessoas tem o direito de serem respeitadas.

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